Por
que bode?
Colaboração
Ir.:
Laerte da Silva "Danilo J. Fernandes"
Oriente de São Paulo
Dentro
da nossa organização, muitos desconhecem o nosso apelido de "BODE".
A origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber do seu
significado, temos necessidade de voltarmos no tempo.
Uma coisa é certa, esqueçam essas conversas de Bode Preto, Diabo, Satanismo ou
qualquer idiotice similar.
Por
volta do ano 3 D.C., vários apóstolos saíram pelo mundo, a fim de divulgar o
cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá,
curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode,
animal muito comum naquela região. Procurando saber o por quê daquele `monólogo',
"foi difícil obter resposta. Ninguém dava informações, com isso
aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação àquele
fato. Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com rabino de uma aldeia, foi
informado de que o ritual era usado para a expiação dos erros. Fazia parte da
cultura daquele povo, contar a alguém de sua confiança, quando cometia (mesmo
que escondido) suas faltas. Acreditando com isso que se outro soubesse, ficaria
aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou
problema.
Mas
por que o BODE?, quis saber Paulo. E por que o bode é o seu confidente? Como o
bode não fala, o confesso fica ainda mais seguro de que seu segredo será
mantido, respondeu-lhe o rabino.
A
Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu no seu ritual, o confessionário,
juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor - nesse ponto da
história não conta se foi o Apóstolo Paulo que levou a idéia a seus
superiores da Igreja. O certo é que ela faz bem à humanidade. Com esse ato, do
confessionário, aliado ao voto de silêncio, o povo passou a contar suas
faltas. Na atualidade, com a confiança duvidosa, em função de escândalos por
parte de alguns padres, diminuíram os confessores e confessionários e aumentou
o número de divãs de psicanálise.
Voltemos
a 1808, na França de Bonaparte, que após o Golpe de 18 Brumário, se
apresentava como o novo líder político daquele país. A Igreja, sempre
oportunista, uniu-se a ele e começou a pesquisar todas as instituições que não
fossem o Governo e a Igreja. Assim, a Maçonaria, que era um fator pensante,
teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados: proibida de se reunir. Porém,
Irmãos de fibra, na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação
do país. Neste período, vários maçons foram presos pela Igreja e submetidos
a terríveis inquisições. Porém ela nunca encontrou um covarde ou delator
entre os maçons. Chegando ao ponto de um dos inquisitores dizer a seguinte
frase a seus superiores: "Senhor, este pessoal (maçons) parecem BODES, por
mais que eu os flagele, não consigo arrancar-lhes uma palavra".
Assim,
a partir daí, todos os maçons tinham, para os inquisitores, essa denominação
"BODE"- aquele que não fala, que sabe guardar segredo.